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Oito e meio no “Gente Boa” de O Globo

Publicado por em 9 de abril de 2012 em Saiu na mídia | 0 comentários

Matéria sobre a Editora Oito e Meio na coluna Gente Boa, de Joaquim Ferreira dos Santos, no jornal O Globo.

Abaixo o texto completo da entrevista:

Entrevista completa referente à matéria publicada em 03/08/2010

Gente Boa: Quem está a frente da Oito e meio?

F, AFlávia Iriarte Tortima tem 25 anos e é formada em cinema pela UFF. Já trabalhou como editora de vídeo, produtora, pesquisadora e livreira, dentre outras coisas. Em março de 2010, iniciou o curso de publishing management- o mercado editorial, na FGV e, em maio desse mesmo ano, fundou a Oito e meio.

 Augusto Guimaraens Cavalcanti tem 26 anos, é formado em jornalismo pela PUC e terminou em março de 2010 o mestrado em Antropologia pela mesma universidade. É poeta, integra o grupo poético Os Sete Novos e lançou seu primeiro livro de poesia, Poemas para se ler ao meio-dia em 2006 pela 7Letras (apresentação de Heloísa Buarque de Hollanda e orelha de Zé Celso Martinez Côrrea). Em 2008 lançou o livro coletivo AmorAmérica junto com Domingos Guimaraens e Mariano Marovatto também pela 7Letras. Para 2010 prepara seu segundo livro individual Os tigres cravaram as garras no horizonte (prefácio de Cláudio Willer).

Gente Boa: Desde quando existe a Oito e meio?

F, A:  A Oito e meio foi concebida em maio de 2010.

Gente Boa- Qual é a proposta da editora? Vocês vão editar única e exclusivamente livro de novos poetas?

F, A – A Oito e meio foi concebida com o intuito principal de contribuir com a formação, organização e divulgação da produção literária contemporânea, pretendendo, dessa forma, atender a isso que a crítica literária vem chamando de “geração 00”. São milhares de pessoas, jovens de 20 anos em diante, fortemente atuantes, através de blogs, jornais e eventos literários, mas, apenas uma parcela muito reduzida é contemplada pelo formato do livro.
Apostamos que o interesse pela poesia não seja tão pequeno assim como parece afirmar o conservador e tradicional mercado editorial. Qual é a editora, atualmente, que possui um projeto central e explícito de editar poesia? Não há. E a proliferação de blogs, apenas para citar um exemplo de manifestação, está aí para mostrar que o interesse pela poesia não é pequeno. É um público reduzido, sim, pois sabemos que a literatura e, ainda mais, a poesia, no Brasil, é uma arte bastante elitizada. No entanto, é um público fiel, pessoas que enxergam o livro não apenas como um objeto de consumo, mas como um objeto dotado de “aura”, através do qual materializam a relação com a arte.
Não editaremos apenas livros de novos poetas. Outros formatos literários estão previstos, como o conto, o romance, o ensaio e a crítica. O próprio Plástico Bolha será contemplado com uma antologia de prosa, além de uma de poesia. E temos como previsão, para o próximo ano, lançar um segundo selo, especializado em publicações relacionadas à música popular brasileira, que é outra clara lacuna do mercado editorial.

Gente Boa. Lucas Viriato (editor do Jornal Plástico Bolha) comentou comigo que em outras editoras é comum os autores arcarem com certa parte do custo para editar um livro. E que vocês planejam realizar projetos em que não seja necessário para os autores arcarem com os custos do livro. É isso mesmo?

F, A –Temos como estratégia de editoração trabalhar com tiragens pequenas que possam ser vendidas de forma mista, ou seja, em parte, pelos mecanismos tradicionais do mercado editorial, mas também de forma independente, através de eventos literários, festas e eventos criados pela própria editora, em parceria com outras instituições. Essa estratégia de distribuição diferenciada é fundamental para sustentar o nosso projeto e não precisar repassar custos para os autores. Mas trabalharemos sob demanda também.

Gente Boa- Como vocês avaliam o atual cenários de novos poetas (e escritores em geral) cariocas?

F, A – Avaliamos de forma positiva, creio. Muita gente teima em proclamar o fim da leitura, do leitor, do livro. Acho que esses discursos apocalípticos tendem a ser bastante redutores. Há interesse pelo livro, sim, e muita coisa boa sendo produzida atualmente. Assim, acreditamos que esse ano de 2010, que encerra a primeira década desse século, seja um momento interessante para se fazer um balanço, uma avaliação dessa produção contemporânea. O lançamento das três antologias que iremos realizar até o final desse ano, é ele mesmo, uma forma de ir fazendo essa avaliação.
Depois do ultra-academicismo que caracterizou a década de 90, o que podemos foi observar uma imensa libertação da forma e, paralelamente, uma explosão de novos formatos e escritores.
Como toda explosão, entretanto, ela gera estilhaços. Acho que, hoje, temos muito mais gente produzindo do que havia na década anterior ou na década de 80, por exemplo, no entanto, é também uma produção muito menos criteriosa e que tende à rarefação, por conta do caos que, por outro lado, a pós-modernidade trouxe.
O formato do livro é, portanto, também uma maneira de condensar essa produção, de operar como um filtro que, ao mesmo tempo em que preza a diversidade que os novos tempos vêm afirmar, preza também a qualidade que ele parece haver esquecido.

Gente Boa – Quais livros vocês já estão preparando?

F, A – No momento, estamos preparando três projetos que são, na realidade, três antologias: duas que contemplam os seis anos do Jornal literário Plástico Bolha, que é, hoje, já uma referência nacional da produção literária contemporânea; e uma terceira, que irá reunir oito poetas atuantes que, entretanto, não tiveram, ainda, a oportunidade de lançar seu primeiro livro.
Já estamos começando a pensar também em quais serão os primeiros livros a serem lançados no ano que vem. Temos já alguns originais prontos sobre canção brasileira que, provavelmente, despertarão interesse de outros públicos também.

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