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Blog da Oito e Meio

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Aqui neste espaço divulgamos artigos, poemas, contos, crônicas, resenhas, entrevistas e textos em geral de autores relevantes da cena atual, não necessariamente integrantes do nosso catálogo.

Sete poemas de Lucas Viriato

Publicado por em 18 de abril de 2011 em Poemas | 0 comentários

aurora … 5:37 os primeiros raios de luz entram pelas frestas mal fechadas apagando a rubra constelação de standbys … 6:22 do enorme silêncio ouve-se um barulho junto à porta: o jornal cacarejando o mundo … 7:00 sucessão de apitos concerto de passos ecoando pelas estruturas um cachorro que não para de latir … … … a ascensorista … a primeira vez que vi Teresa foi hoje pela manhã quando desci de elevador … quando vi Teresa de novo foi hoje pela tarde quando subi de elevador … da...

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Flanar

Publicado por em 5 de abril de 2011 em Poemas | 0 comentários

(um texto de Daniela Asth) Uma parte grande de mim quer que você morra. Uma parte muito grande de mim tem a sofisticação de o querer morto como um deslize, como um escorrimento, como um desfazimento liquefascente. Uma parte de mim é grande o bastante para vê-lo sumir com gozo, mas outra parte segura na última hora seu rabinho-de-peixe-de-aquário, antes de partir pelo derradeiro ralo. As minhas partes adoram discutir, para chegarem a um desacordo permanente e cíclico, como um orgasmo que você me nega. O ritmo das minhas...

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Um texto de João Lima

Publicado por em 16 de março de 2011 em Contos | 0 comentários

(Um texto de João Lima) Na fria máquina feita de aço e borracha partirá.Mas ele detém-se. Espera. Como se estivesse no cais de um grande porto. — Não esqueceu nada? Esquecera sua coleção de bolinhas de gude. A velha cartilha não esquecera: já não vai servir pra nada mas guarda-se, como lembrança. Esquecera seus avós seus tios sua prima histérica a horta no fundo do quintal a amendoeira a filha engraçadinha do vizinho as manhãs com cheiro de leite a sombra que nos dias de sol ficava ao pé da amendoeira a comida da sua avó os...

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Tristitia

Publicado por em 16 de março de 2011 em Poemas | 0 comentários

(Um poema de Kavita Kavita)   Eu amava as suas sendas tortas a largura do seu sorriso eu amava os s(m)eus assassinatos e você sabia. … Você adorava me ver enforcado na árvore do seu quintal meu corpo dependurado balançando enquanto você batia palmas. A minha morte era o seu espetáculo. … Eu amava a sua nudez no banho a sua nudez sonolenta na cama o seu corpo imenso (maior que o box do banheiro maior que a cama uma galáxia inteira) e imaginava o cinema: via você dançando no Blaue Engel eu fantasiava que você era a minha...

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Amores e um século

Publicado por em 21 de fevereiro de 2011 em Contos | 0 comentários

(Um texto de Rafael Sperling) … E o amor, aquele amor enorme, aquele amor cheio de gente, grande pra caralho, amor que entope os canos. Esse amor de gente maluca e esquizofrênica, que gosta de bater a cabeça na parede e de jogar dardos em estrume. Amor de pernas compridas, vestindo bota de plástico amarelo, cozinhando bife com batata frita, em cima da montanha. Devendo dinheiro e coberto de chocolate quente. De manhã cedo e sonhando com as pessoas do ódio negro. Fazendo musculação com o poste e escrevendo leis lógicas. Dentro do...

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Túneis

Publicado por em 27 de novembro de 2010 em Contos | 0 comentários

Túneis

As pessoas falando, os carros, as obras, os cachorros latindo. Gostava especialmente do barulho dos carros. Ele queria muito poder ver os carros de perto.

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O aparelho

Publicado por em 20 de setembro de 2010 em Contos | 0 comentários

(Um texto de Jonas Arrabal Arregutti) Grupo de atores numa espécie de camarim, mais parecido com um bunker.Barulho de bombas nas ruas. Cai poeira do teto. Eles continuam se maquiando. Gritos de socorro. Um alarme indica que outra bomba irá explodir. Eles seguram tudo e tapam os ouvidos. Explode a bomba. Eles continuam se arrumando.) (primeiro sinal) Atriz 1 – Então, do que a gente precisa? Atriz 2 – Diálogo! Atriz 3 – Isso. Anota no canto pra não esquecer. Atriz 1 – Diálogo… Atriz 2 – Isso, isso… Atriz 1 – Como se chama...

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Vinte e seis

Publicado por em 18 de setembro de 2010 em Poemas | 0 comentários

(Um poema de Leonardo Marona) … um dia, inevitavelmente, aconteceria. o antigo poeta das linhas apócrifas sobre fantasmas internos e naufrágios, o infante terrível, o descabelado, o vil sem regras daria lugar ao homem grave, à besta milenar – homem sem pernas, meio doce meio amargo meio homem, a boca sem fim inclinada para baixo, as leituras eslavas, a sutura do ódio que prolifera para dentro em pústulas e adquire a petulância de um mar parado.

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Ilícito

Publicado por em 17 de setembro de 2010 em Poemas | 0 comentários

(Um poema de Lucas Puntel) nem tudo o que é lícito é honesto Digesto, 533 a.C. … … … musa, que pode ser de qualquer rio que verbo é essa carne que sussurra? latente força elástica, uma jura ou promessa quebrada por injúria …. de quantas dúvidas o amor fugiu direto ao encontro de nova armadura? ó musa, pega leve com a surra que a carne é fraca, e curto o meu pavio …. rima quietinha, amarra o pulso absurda abafa a voz no escuro, morde a corda seu verbo que me inspira é o que te corta …. respira, musa, e...

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Sobre ponteiros

Publicado por em 12 de setembro de 2010 em Poemas | 0 comentários

(um poema de João de Medeiros) … estando a par da prescrição desdobrada da cronologia pus-me sequencialmente crédulo em direções por preguiça … (e compassado de andamentos particulares fui seduzido pela engenhosidade insinuante das intuições por natureza) -… na desfolha dos referenciais inertes a nova lógica pareceu-me demasiado sutil … e na ausência de apontamentos menos improváveis tomei meu relógio pela elegância que lhe é peculiar (ensaiada na metonímia) : … pra correr atrás do tempo segui os...

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