Blog da Oito e Meio
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Aqui neste espaço divulgamos artigos, poemas, contos, crônicas, resenhas, entrevistas e textos em geral de autores relevantes da cena atual, não necessariamente integrantes do nosso catálogo.
Publicado por Editora Oito e Meio em 8 de novembro de 2012 em Poemas | 0 comentários
POR MARIEL REIS
Não se exaspere com a morte.
É apenas uma palavra
Cava dentro do peito –
Repleta de sons agudos.
Não, não se intimide
Com o susto
Embora parte do meu rosto
Permaneça indecifrável
E repouse, nessa sala,
Sob o escuro.
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Publicado por Editora Oito e Meio em 8 de novembro de 2012 em Contos | 2 comentários
POR FRANCISCO SLADE
– Pai, falta muito ainda?
Iam, dessa forma, os dois, o pai puxando o menino pela rua.
– Paciência, menino! Já é a milésima vez que você pergunta!
O homem ia, entre resoluto e resignado, andando a passos largos e olhando pra frente; a criança ia, quase suspensa pela mão do pai, misturando suas perninhas curtas e olhando pra tudo que passava à sua volta, com a curiosidade e o espanto próprios da idade. Lá pelas tantas, viu algo que, mais que o resto, chamou-lhe a atenção;
– Pai, olha...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 8 de novembro de 2012 em Contos | 0 comentários
POR FRANCISCO SLADE
Vamos fazer de conta que você é uma criança. Na sua casa, você tá sempre sozinho. Como todo mundo, você gostaria de que seus pais tivessem por perto, pra te dizer certas coisas. Mas eles não estão, e tudo que você tem são lembranças em que eles falam outras coisas, que você queria poder parar de ouvir. Você é uma criança. Na sua casa, tem muitos brinquedos; algumas vezes, você acorda e eles tão todos lá e tudo que você tem de fazer é brincar com eles, inventar o que te der na telha; noutras, eles somem,...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 5 de novembro de 2012 em Contos | 0 comentários
Por Bruna Mitrano
estrada de terra esburacada. o ônibus velho, suas partes, as desajustadas ou elas todas, numa sinfonia de ferro. quantas horas? penso: é tarde. e não tenho lugar para ficar. uma mulher viajando sozinha, devem estranhar, as pessoas, eu estranho, quem são? mas não tenho medo, é como se eu conhecesse cada beco dessa cidade. tanta espera, agora acabou. precisou que ela fosse embora para nos aproximarmos. sou mais íntima daquilo que não posso tocar? desço do ônibus tonta, a rodoviária vazia, um forró gritado num rádio...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 5 de novembro de 2012 em Resenhas | 0 comentários
Por Marcelo Reis de Mello
Resenha do livro Conversa com Leões, de Leonardo Marona (Editora Oitoemeio, 2012).
Os felinos nem sempre foram bem compreendidos pelos homens. Basta lembrar oterrível massacre dos gatos na França pré-industrial, ou então ler as notícias sobre a ameaça que representamosàs onças pintadas no Brasil, ou simplesmente olhar pela janela do carro e notar os inumeráveis bichanos mutilados pelas calçadas, nas grandes cidades, sem rabo ou sem orelhas ou sem olhos, vagando feito pobres diabos nesse mundo cão....
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Publicado por Editora Oito e Meio em 19 de junho de 2012 em Crônicas | 2 comentários
POR RODRIGO NOVAES DE ALMEIDA
Leio uma velha revista náutica na sala de espera do consultório do dentista. Tratamento de canal, um nome bonito para se arrancar os nervos, que são enrolados numa agulha fininha e depois puxados de uma só vez. Coisas da vida, tortura com hora marcada e nosso consentimento. Será que Osama tinha um dentista naquele cafofo paquistanês? Vai saber, o cara nem sabia rir, talvez pensasse que saúde odontológica fosse frescura do Ocidente. Obama tem o dele, certamente, com aquele sorrisão maroto… E o nosso...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 15 de junho de 2012 em Contos, Poemas | 0 comentários
POR FELIPE G. A. MOREIRA
Instruções para cena:
Entra O HOMEM DA CABEÇA DE PLÁSTICO. Precisa que a cabeça de plástico cresça até quase explodir. Precisa, sobretudo, parecer que vai explodir. Mas não deve explodir. Todavia, cresce deformadamente até o corpo não sustentar. Dir-se-ia (no sentido de “a platéia toda precisa atingir essa imagem”): “o corpo insustenta”. Determinado momento, cabeça tomba. “O corpo insustenta”. A cabeça de plástico precisa se assexualizar num arredondamento. Isso se dá enquanto ela, a...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 15 de junho de 2012 em Contos, Poemas | 0 comentários
POR FELIPE G. A. MOREIRA
Prelúdio
O leite achocolatado Quick é absolutamente carinha feliz:
O leite normal não tem cara.
O leite de morango Quick é absolutamente carinha triste:
Ato I
Tem vezes que está nevando.
Eu saio de casa só para comprar leite achocolatado Quick.
Eu compro o leite achocolatado Quick
e, então, eu não me sinto tão mal.
Mas tem vezes que o leite achocolatado Quick está em falta.
Eu compro o leite normal
e, então, eu não sinto nada.
Tem...
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Publicado por Flávia Iriarte em 11 de junho de 2012 em Contos | 2 comentários
POR FLÁVIA IRIARTE
Viene viene viene viene el gavilán
truenos suenan ya
yo no tengo dónde estar
yo no tengo dónde estar
yo no tengo dónde estar
Nada é capaz de dizer a dor de Violeta Parra. As marcas de catapora no rosto. As mãos pequeninas comendo jabuticaba como se sangrassem. O pai branco e bêbado.
Nada é capaz de dizer a dor de Violeta Parra.
*
Violeta Parra queria que não houvesse aquelas marcas em seu rosto. Ela as esfrega constante e brutalmente, até ferir.
Violeta Parra queria que o pai fosse...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 3 de maio de 2012 em Contos | 1 comentário
UM MICROCONTO DE LUCIANO PRADO DA SILVA
O homem na sala. A briga no quarto. De repente, no celular a mensagem: Tem outro mosquito. A raquete em punho. O estalo no quarto. O bebê que se abala, mas a mãe o conforta em meio ao cheiro de inseto queimado. Eis de novo o herói.
Reataram.
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