Blog da Oito e Meio
Seja bem-vindo ao blog da Editora Oito e Meio!
Aqui neste espaço divulgamos artigos, poemas, contos, crônicas, resenhas, entrevistas e textos em geral de autores relevantes da cena atual, não necessariamente integrantes do nosso catálogo.
Publicado por Editora Oito e Meio em 3 de maio de 2012 em Contos | 1 comentário
UM MICROCONTO DE LUCIANO PRADO DA SILVA
O homem na sala. A briga no quarto. De repente, no celular a mensagem: Tem outro mosquito. A raquete em punho. O estalo no quarto. O bebê que se abala, mas a mãe o conforta em meio ao cheiro de inseto queimado. Eis de novo o herói.
Reataram.
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Publicado por Editora Oito e Meio em 2 de maio de 2012 em Contos | 0 comentários
UM CONTO DE DANIELE COSTA
Segui Irene no meio da multidão. Ela usava um lenço azul amarrado no pescoço e um vestido cinza de mangas compridas, bem de acordo com aquele dia nublado, meio indefinido, como ela própria sempre foi. Vi Irene no momento em que ela amarrava os cabelos castanhos num rabo de cavalo displicente. E sem ponderar meus horários, meus prazos, meu dia, decidi segui-la para qualquer lugar que fosse. Como se ela pudesse definir meu destino novamente, como definiu há alguns meses, quando decidiu que era hora de nos...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 27 de abril de 2012 em Poemas | 1 comentário
POR ANNA BEATRIZ MATTOS
Abram todas as torneiras!
é preciso fazer chover. Chorem! desmedidos e chorados. bem molhados por uma força incontrolável que choca a sua cabeça de pensamentos contra a sua cabeça sentimental. Chove e chora e molha a vi da re partida em sílabas canhestras.
cadê o coração das coisas nessa hora?
viver é amassar os lados,
arranhar os sentidos
é tocar mais alto e desafinado
ela diz:
a música
é
, então ,
aquela nossa forma
de assegurar a...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 26 de abril de 2012 em Contos | 0 comentários
UM CONTO DE JOSÉ CARLOS TORTIMA
As posições dos praças teriam agora uma configuração diferente ao redor do gramado. Ordens do novo comandante. Ficariam dispostos em dupla, lado a lado, ao longo do perímetro do campo, em dezesseis pontos fixos, um soldado de cara para os jogadores, outro de frente para as arquibancadas. O privilégio de poder ver o jogo passaria a ser disputado no cara ou coroa pelos dois policiais componentes da dupla, momentos antes de os jogadores entrarem em campo. O que perdesse ficaria só de olho na...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 26 de abril de 2012 em Contos | 1 comentário
UM MICROCONTO DE RODRIGO NOVAES DE ALMEIDA
Na verdade nunca fui mágico. Sabia meia dúzia de truques e uma vez um macaco de circo me ensinou a hipnotizar pedras e tigres.
É verdade que eu trabalhei no circo, já fui mulher barbada sem nunca ter sido mulher, já me vesti de urso, já derrubei touros capados, mas nunca fui mágico.
Acontece que eu estava foragido. Tinha coronel, polícia e Lampião no meu rasto e fui me esconder naquela pobre cidadezinha nos fundos de pra-lá-dos-montes.
Eu usava um chapéu de mágico, roubado, e o...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 26 de abril de 2012 em Contos | 0 comentários
UM MICROCONTO DE RODRIGO NOVAES DE ALMEIDA
Parte I
A primeira gota do orvalho no Jardim derreterá ao primeiro raio de sol da manhã e produzir-se-á o primeiro som depois do longo silêncio do Inefável.
Parte II
Uma libélula sorverá o primeiro gole e voará rumo à Imponderabilidade.
Parte III
Será criado o Homem. Será chamado Homem. E viverá como Homem.
Parte Final
Estará escrito que o Homem não possuirá asas.
***
Rodrigo Novaes de Almeida – Jornalista e escritor. Publicou a ficção A saga de Lucifere...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 23 de abril de 2012 em Poemas | 0 comentários
POR BRUNA BEBER
mamãe posso comer
essa pipoca
não pode minha filha
é macumba
macumba não pode comer
e o guaraná pode
ah mãe deixa.
::
esquina parábola faz parte do livro rua da padaria, quarto livro de poemas de Bruna Beber, a ser lançado em 2012. Foi musicado pelo escritor e músico Botika, que o transformou num punk rock chamado “Pipoca”.
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Publicado por Flávia Iriarte em 23 de abril de 2012 em Contos | 0 comentários
POR FLÁVIA IRIARTE
Meu bisavô andava pra lá e pra cá dentro de casa, roendo as unhas. Era um andar pesado, de quem sente uma dor que não compreende. E quando se sente uma dor assim é como se nada coubesse em si, de forma que embora andasse pra lá em pra cá, meu avô não se achasse fazendo isso, (era mais como se sentisse que seus passos fossem a causa ou a consequência de algo maior do que eles mesmos).
Enquanto isso, minha bisavó, sua mulher, fritava ovos e esquentava o leite na chaleira. Era um fritar ovos de quem apenas...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 15 de março de 2012 em Contos | 3 comentários
(por Rodrigo Vrech)
“Amei-te há muito, meu irmão.”
Você desconhece o calafrio que me percorre a nuca ao te ouvir falar. Tua lucidez alucinante tempera a minha loucura premeditada. Não me canso da melodia da tua voz, grave e doce, canto em prosa. Líricas eram (são) tuas atitudes. Um homem nobre em tempos de falência da integridade. Tua discrição, apesar de todo o teu sucesso, tua humildade com os menores que ti, só fizeram despertar em mim este sentimento que um dia tomei por ciúmes.
Olhei-me no espelho diversas...
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Publicado por Editora Oito e Meio em 15 de março de 2012 em Poemas | 0 comentários
(por Fernando Andrade)
Crio poses nos quadros
Mesmo com pintura
Lacrada.
Rotulo os movimentos modernistas,
Ação, Lacan por câmeras cinematográficas
Toda imagem é filtrada
Por esferográficas arrivistas
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